
E você que nunca ardeu,
de que valeu guardar o corpo pra mim,
que o consumirei
lenta
e dolorosamente,
Que junto com meus escaravelhos penetraremos fundo suas carnes,
corroendo,
despindo-lhe até os ossos de um corpo que você achou que era seu,
como pode lhe negar amor, vida, movimento, graça?
Por que você destruiu o monumento que eu própria ofertei?
Francisco Vieira
29/11/10
Um comentário:
Como é saboroso apreciar a crueldade irônica da terra personificada ao zombar de sua criatura, da qual vai se alimentar, à qual deu vida e se privou dela... De que adiantou não viver? Não gozar os prazeres, não arder, nao ser humano? Agora o que restará da criatura?
André Gonçá
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