
Estou no lugar onde a tristeza se diluiu,
ou choveu, não sei ao certo dizer,
já que me ocupava de um pouco desse mar que eu
conseguira chorar.
Mas agora olho assustado para tudo,
e aquela imensidão negra que se instalara no meu céu,
dissipou-se, deixando uma leve névoa branca luzidia.
Para onde foi tudo e tanto?
Onde estás Arthur?
Em que noite sombria a tua alma,
gentil possuidora da minha, se abrigou desse temporal de emoções?
Estou na calçada, do lado de fora,
molhado, as tintas negras escorrendo,
trazendo a tona a minha própria sombra que nunca vira.
O que me impede momentaneamente de sair gritando,
dançando, bebendo, gargalhando, amando,
é o pouco medo do que eu farei com tanta coisa boa,
no mundo aberto, escancarado, livre, aventureiro...
Francisco Vieira
20/12/10
2 comentários:
Diante da imensidão do " devir": o medo! Há tanto para se fazer, depois que se percebe a própria sombra, o eu escorrido de lá dentro, em tintas negras... É uma jóia cara ter liberdade para tudo fazer, mas mais caro ainda é perder-se no meio delas... Bela reflexão, texto muito bom mesmo... Parabéns!
Plenitude sublime, feito a do céu que se derrama em lágrimas para depois fulgurar em luz argêntea e soturna dentre as trevas. É isso o que estes versos me trazem, amigo. E admiro tal profundidade. Obrigado.
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