sábado, 28 de agosto de 2010

Anagrama

“The same old fears, whish you were here...”
Pink Floyd




A menina diz para o menino,
ele cabisbaixo, acocorado no chão, ela de pé:
“Chupa essa manga! Vou atrás dos meus morangos!”

Mentira
(no ato de chupar a manga assim,
sem faca, sem roupa, repleto de solidão e ausente de tempo,
não há como impedir que escorra o suco doce que escapa,
nascente na força das mãos contra a boca e a fruta,
pelo peito, barriga, umbigo, encharcando o púbis,
e pinga no chão, da ponta do prepúcio pêndulo,
num transbordamento que nutre o seio da terra)

Verdade
(enquanto manga e morango misturam seus segredos no liquidificador,
os amantes se dão, no chão da cozinha, absurdos tão reais,
confundindo corpos, sentindo as sensações provocadas no outro,
liquefazendo-se, espelhando o chão frio e vulgar piso, homem e mulher,
no suco surgido da contra força com que se apertam)


Francisco Vieira
28/08/10

4 comentários:

Anderson Tomio disse...

Belo comparativo. A natureza da simplicidade do cotidiano, nem sempre permite fazermos essas referências.Isso dá um tempero a vida. Parabéns!

Asinim disse...

Imagina a manga, o morango, e a Natis, tudo misturado no meio do mato, no meio do nada, no fundo das cachoeiras...só consigo pensar nisso agora.

Dois Ursos disse...

PornPoem, rsrsrsr Muito legal

Tato Mansano disse...

E viva a manga e o morango!