sábado, 11 de dezembro de 2010

Werther



Eu sou Verlaine.
Onde estás Arthur?
Em que noite sombria a tua alma,
gentil possuidora da minha, se abrigou desse temporal de emoções?

Eu sou a tua alma da minha,
com passagem livre entre os corpos
que se agigantam no emaranhado de paixões,
consumindo-nos os espíritos e o corpo, que já não se distrai.

Eu sou você por toda a eternidade.
No piso frio do chão em que desistimos
de nos sustentar,
onde caímos exaustos os nossos corpos
e livres essas almas, a que já não pertencem mais nada...

A nossa poesia jaz mole, sem tônus, pelos ares a girar.

Francisco Vieira
11/12/10

Um comentário:

André Gonçá disse...

Achei que o sentido do título houvesse me fugido... mas não... acho que posso vislumbrar a relação intempestiva entre Verlaine e Rimbaud como uma espécie de autodestruição consentida e misturada aos prazeres físicos e metafísicos vivenciados por eles. O romance, as drogas, o álcool,a poesia... Irônico um poema que trata de poetas tão extremamente de outra vertente literária tão inovadora quanto o simbolismo, a Rimbaud um quase modernismo, chamar-se Werther... Se estamos então a falar de símbolos... joguemos nossas cartas simbolistas na mesa e as leiamos diante de seu poema que as contém legitimamente... Werther o símbolo do amor romântico, Rimbaud e Verlaine o símbolo da destruição... acreditaria se eu dissesse que acaba de criar um paradoxo reluzente entre título e poema, um dos bons e que neste caso funciona??? abs...